sábado, 3 de setembro de 2016

Meu achismo

Muito bem. Você veio até aqui pela curiosidade de saber meu posicionamento sobre essa suruba política que tomou conta do país desde a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara. Ou será que essa zona começou com a reeleição de Dilma? Não, não, não. Foi em 2008, com a “marolinha” que chegou ao Brasil e o Lula garantiu que nosso país nem sentiria os efeitos em nossa economia. Enfim, começou onde você quiser imaginar, mas o desfecho foi a deposição da presidente eleita. Golpe de estado institucionalizado para alguns, respeito à Constituição e ao país para outros.

No final das contas, o que me parece é que ainda levaremos muito tempo para sair desse atoleiro político. Nesse ponto a minha geração, aquela que em 1992 pintou a cara e foi pedir a cabeça do Collor, tem toda a culpa do mundo. Alguns manifestantes seguiram carreira política e se venderam ao “sistema” (oi, Lindenbergh), outros foram pra casa achando que depois da eleição do FHC – aquele que conseguiu, junto com várias cabeças pensantes, domar a inflação e colocar a economia brasileira nos trilhos – tudo ficaria bem e o Brasil deixaria de ser o país do futuro para efetivamente ser um país de futuro. Uma parcela dos caras-pintadas só estava lá porque a Globo colocou em suas cabecinhas que era preciso ser menos alienado (Anos Rebeldes mostrava como o pessoal de 68 era bacanudo e deveria ser emulado). Ou pior, estavam lá porque era mais uma possibilidade de pegação e ninguém queria saber de nada além da azaração que rolava nas manifestações. Taí, meus queridos. Deu nessa merda toda. Quando “a esperança venceu o medo”, ou, de maneira mais clara, quando Lula foi finalmente alçado ao cargo de Presidente da República, eu verdadeiramente acreditava que veríamos o país deslanchar. O que vimos foi justamente o contrário. Justamente por essa sensação de ter sido traído que não creio mais no PT.

Na minha concepção, e se você discorda adoraria ler sua opinião nos comentários, o PT passou toda sua existência esperneando contra o governo, fosse ele qual fosse, só pelo simples fato de que o próprio PT não era governo. Era um partido irritante na oposição, pois foi contra as eleições diretas, foi contra a Constituição Federal de 88, foi contra o Plano Real, enfim, o próprio Lula admitiu que se tivesse sido eleito em 89 o bicho ia pegar de um jeito inimaginável. Mas, além de fazer oposição, o PT foi percebendo como os partidos no governo faziam suas maracutaias, acordos e conluios. Chegou a denunciar vários desses esquemas, mas nunca viu a denúncia ser devidamente apurada. Mas aprendeu direitinho o caminho das pedras.

Isso foi providencial quando finalmente os companheiros foram eleitos. Agora eles sabiam como o sistema funcionava. Havia dois caminhos: ou derrubavam o sistema, ou se locupletavam com ele. Está óbvio qual o caminho escolhido. Afinal, quando Lula assumiu a Presidência, a Lua de Mel com o povo brasileiro foi longa. O Congresso Nacional não demonstrava força para bater de frente com um presidente tão popular. Alguém lembra que até o Poder Judiciário foi criticado por Lula, que queria saber como funcionava a caixa-preta dos juízes? Eu lembro, pois apoiava a ideia de trazer à luz o que acontecia (e ainda acontece) no STF e demais estâncias do Judiciário.

Se realmente desejasse, Lula teria feito todas as reformas necessárias para avançar o país nos primeiros dois anos de mandato. Força política e apoio para isso existia. A oposição, nesses 14 anos, foi débil, despreparada e incompetente. Logo, assuntos espinhosos e que necessitavam de discussões aprofundadas poderiam ter sido colocados em pauta, aprimorados e aprovados. Lamento muito que isso não tenha acontecido. Só Deus sabe que país teríamos hoje se Lula tivesse sido íntegro e fiel à sua ideologia de não roubar nem deixar que roubem.

Mas, após a ascensão, vieram os ratos insatisfeitos e começaram a mostrar a sujeira que o PT queria manter escondida sob o tapete. Roberto Jefferson começou a sangria petista, deixou claro quem era o mentor do Mensalão, mas nunca revelou o comandante do esquema. Até hoje tem gente que jura de pé junto que Zé Dirceu era ambos, mas aquela história do Lula dizer que não sabia de nada só cola para quem acredita na conveniência dessa mentira.

Aliás, se Lula não foi derrubado em 2006, isso só aconteceu, na minha opinião, porque os cofres da Petrobrás e do país estavam cheios, proporcionando ao hábil político que ele é comprar o apoio necessário para evitar o pior.
Sua reeleição aconteceu de forma tranquila e então o sucesso começou a subir à cabeça. O abandono dos pilares econômicos e a adoção de uma política menos rígida para fazer o país crescer deu início a essa crise sem-fim que vivemos. Em 2009 Lula era “o cara”. Até Obama frisou isso. Bem, se até o homem que comandava a maior potência ocidental dizia isso, só poderia ser verdade. Os brasileiros da elite não batiam panela contra a corrupção, pois a economia estava crescendo, todo mundo comprando carro, geladeira, fogão, casa, terreno, enfim, dinheiro não faltava. Então, se os políticos estão roubando, mas estou conseguindo realizar meus sonhos de consumo, tudo bem. Podem roubar à vontade.
Tão verdadeiro isso é que, findo seu segundo mandato, Lula não dispunha mais de seus preferidos para colocar como sucessores (Dirceu caíra em desgraça com o Mensalão, Palocci também havia sido vítima de escândalos) e resolveu apostar suas fichas em um poste com fama de boa gestora.

Dilma foi eleita, manteve a economia sem os freios que haviam sido benéficos ao Brasil, Guido Mantega pode ser considerado um dos piores Ministros da Fazenda da História Moderna do país, mas só conseguiu esse feito porque sua chefe assim permitiu.
No final das contas, faltou a bendita da capacidade do mea-culpa ao PT. Quando seus “heróis” foram condenados pelo STF, por exemplo, deveriam ter sido expulsos do partido, não tratados como vítimas. Isso teria demonstrado que corruptos condenados não teriam espaço no partido outrora ético. Como não foi nada disso o que aconteceu, o PT perdeu simpatizantes e muito de sua força.

Mas nem tudo foi roubalheira e corrupção na Era PT. Finalmente, depois de tantos anos, a desigualdade social começava a dar mostras de diminuição, houve avanços significativos na questão de respeito às minorias, mulheres e negros tinham a devida representatividade no Governo e isso não pode ser esquecido.

Porém, até mesmo os avanços foram usados para tentar manter a corrupção fora do foco. Isso recrudesceu a famigerada luta de classes, fomentou o nós contra eles e dividiu o país dessa forma indecente que presenciamos hoje.

Finalmente chegamos aos dias atuais. Dilma, por mais inocente que seja, não teve habilidade política para costurar acordos. Não teve comando para colocar aquilo que realmente interessa a todo mundo – a Economia – nos trilhos.
Se o povo em geral tivesse dinheiro no bolso, em 2013 ninguém teria ido para as ruas. 

Aliás, lamentavelmente black blocs fizeram o cidadão comum perder a vontade de continuar as manifestações que fizeram os políticos fecharem o fiofó. Parecia que o povo finalmente estava entendendo que tinha que fazer alguma coisa. Até hoje queria entender quem incentivou a participação desses baderneiros nas passeatas. Vamos fazer de conta que não sabemos a quem interessou o fim dessas manifestações.

Em 2014 veio a Copa do Mundo. Os profetas do apocalipse diziam que seria um fiasco, mas o único fiasco proporcionado pelos brasileiros foi o vexaminoso 7 x 1. O resto foi exemplo de festa e, de certa forma, organização. Dilma foi vaiada pelos bem-nascidos que tinham grana suficiente para ingressar nos estádios de uma forma ainda mais intensa do que seu predecessor, durante a abertura dos Jogos Pan-americanos.

Vieram as eleições e, por uma contagem apertada, Dilma foi reconduzida à Presidência. Mais uma vez, deixe-me colocar minha opinião sobre como teria sido a história se outro candidato – independentemente de partido ou ideologia – fosse eleito. O PT voltaria à oposição ferrenha que sempre soube fazer e quem quer que estivesse no governo não poderia mais roubar ao velho estilo, afinal o PT sabia como os esquemas funcionavam. Aliás, o PT aprimorou os velhos esquemas e se deu muito bem nisso, até certo ponto.
Dessa forma, se quisesse se manter no poder, aquele que tivesse assumido a Presidência teria que fazer um trabalho impecável. Se bem que, com esse modelo absurdo chamado presidencialismo de coalizão, governar o Brasil é algo impossível sem dar sequência nessa sujeira que tomou conta de Brasília.

Chegamos então ao ponto onde posso apontar quem tem colaborado negativamente para que o país mantenhasse ingovernável. O maior culpado por isso tudo chama-se PMDB.
Desde que me conheço por gente, essa sigla onipresente na política nacional tem que levar o seu quinhão. Há alguns anos venho me perguntando como um partido com tamanha permeabilidade junto à população nunca tenha conseguido, desde a redemocratização, emplacar um candidato próprio no comando supremo do país.

Percebendo como o PMDB se movimentava, outros partidos também começaram a fazer o mesmo. E nossa legislação (que até tem intenções excelentes, tivéssemos outra cultura) permitiu que legendas de aluguel fossem criadas, perpetuando esse sistema nefasto de se fazer política.

Dessa forma, em nada estranho o presidente atual (indigesto presidente, diga-se de passagem) estar na China, em companhia de um dos maiores corruptos do cenário político nacional, Renan Calheiros, sem sentir o mínimo embaraço. Afinal, são do mesmo PMDB. E, sendo do PMDB, terão que fazer praticamente qualquer coisa para salvar a pele de outro corrupto nato, Eduardo Cunha, pois não fosse por ele, o PMDB seria apenas mais um partido da base aliada e Temer seria tão somente um vice decorativo.

De tudo isso, percebo que o problema não era somente a Dilma, mas principalmente as alianças que foi forçada a celebrar em nome da governabilidade de um país que tem tudo para dar certo, mas que seus políticos continuam trabalhando duro para fazer com que dê errado.

Frases prontas à parte, muito do que escrevi aqui reflete minha tentativa de me colocar como alguém equilibrado politicamente, que não engole com facilidade o que a imprensa coloca e não aceita o extremismo inútil que muitos brasileiros adotaram, a ponto de achar que a solução para essa bagunça toda pode ser um Bolsonaro da vida.
2018 será, mais uma vez, um ano árido politicamente. Não há no radar eleitoral alguém minimante capacitado para realmente unificar o país.

A nossa agenda política está tão difícil, tão polarizada, que precisaremos de um milagre nos próximos vinte e oito meses, tempo de governo com esse personagem de filmes de terror no comando do país.

As redes sociais foram tomadas por legiões que julgam impiedosamente qualquer coisa, desde as mais frívolas até as mais sérias. E, em se tratando de posicionamento político, não se aceita que pobre seja de direita, mas é de bom tom o rico ser de esquerda. Não é aceitável questionar a sequência do impeachment sem ser tachado de mortadela. Você não pode apontar a corrupção petista sem ser tachado de coxinha. Ninguém mais está liberado para seguir o meio termo. Ou se é vermelho, ou azul. Nada de verde, amarelo, branco, preto. Nada!

E não se deixe enganar. Não estou satisfeito com a maneira como o PT foi apeado do poder. Teria sido muito mais saudável se tivesse corrido tudo dentro do esperado, com eleições e o devido processo legal. Tenho muito nítido, a cada dia desde a aprovação do impeachment, que serão feito esforços para tumultuar toda tentativa de fazer a faxina ética que o país necessita. O fatiamento do processo no Senado foi um dos maiores absurdos que se viu. Livrar a pele dos amigos sempre que possível. E, se não for possível, ludibriar mais uma vez o eleitor para ser absolvido pelas urnas. Não foi assim com Collor? Com Jader Barbalho? Com o próprio Renan, que renunciou à Presidência do Senado em 2007? 

Não vou nem falar do meu “quintal”, que está sendo governado por um dos maiores corruptos que já passou pelo Palácio Iguaçu. Investigações sobre sua pessoa pipocaram nos últimos anos. Ele usou mentiras similares às de Dilma para ser eleito, disse que as contas estavam equilibradas, que o governo está com a máquina azeitada e, mentira das mentiras, o melhor está por vir. Os paranaenses não percebem, até porque o coronelismo aqui é muito bem maquiado, mas há décadas estamos nas mãos de famílias que nunca levaram o estado ao seu lugar de direito. Não que o Paraná seja melhor do que os demais estados da Federação, mas pelo seu peso econômico, pela sua localização estratégica e pela sua economia, deveria ser mais respeitado.

De qualquer forma, nada mais nos resta a não ser procurar ver as coisas sob uma perspectiva menos restritiva. Tentar perceber que ninguém lucra com essa cisão absurda que tomou conta de nossos corações e mentes. Devemos voltar a pressionar o Congresso Nacional, e por que não, o STF, para que os anseios da sociedade sejam atendidos.

E que Deus nos ilumine para que possamos aprender que Educação é o caminho. Sem ela de nada adiantará a economia estar em ordem, que todos estejam empregados e com moradia garantida, pois o desfrute dos bens produzidos só será completo quando respeitarmos uns aos outros e aprendermos a conviver como iguais.

sexta-feira, 4 de março de 2016

4 de março de 2016 entrou para a História do Brasil

Não vou esconder minha satisfação por tudo que está acontecendo hoje, com Lula, sua família et caterva. Desde 2005, quando veio à luz o escândalo do Mensalão, eu esperava uma demonstração de força e legalidade das instituições brasileiras. Provavelmente Lula não foi incomodado à época, do meu ponto de vista, por dois motivos:
  • A economia estava de vento em popa, pobreza diminuindo, empregos sendo gerados, riquezas mil etc;
  • A oposição ao PT era (e ainda é) patética, desestruturada e com manchas tão grandes em seu currículo quanto o próprio PT.
Obviamente que o cenário agora é outro. A pupila de Lula, que já tinha feito severos estragos ao país em seu primeiro mandato, não conseguiu mostrar ao povo que está trabalhando para tirar o Brasil do atoleiro em que o meteu. Tenho certeza de que, se a economia ainda estivesse pujante, ninguém iria bater panela a cada pronunciamento petista na TV. Os protestos contra o governo seriam motivo de chacota, as desculpas que colavam na época de Lula na Presidência seriam engolidas com facilidade e a turma petista continuaria sua sanha dilapidadora.

Ainda que haja defensores do governo petista, que teve seus méritos mais em razão das circunstâncias do que pela competência, não é possível deixar que estes façam valer a versão de golpe. Se a Lava Jato chegou onde chegou, não foi por manobras ou mentiras.Ninguém conseguiu desmerecer o trabalho primoroso que vem sendo feito pela PF, MPF e Poder Judiciário Federal.

Se há manobras para enfraquecer a Lava Jato, é só recorrer às manifestações do Instituto Lula. Se a “pessoa mais honesta do Brasil” não tem nada a esconder, se nada há com o que se preocupar, qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico se pergunta a razão para Lula fugir dessa maneira de prestar depoimentos e denegrir a imagem de quem está trabalhando para esclarecer tudo que vem sendo descoberto, há dois anos.

Nesse sentido, o mais correto a ser feito é deixar os trabalhos acontecerem, com o devido acompanhamento dos interessados para que não haja arbitrariedades. Qualquer outro comportamento, especialmente aquele que insufle a população a ocupar as ruas de modo desordeiro, com a nítida intenção de promover batalhas ideológicas fora do campo das ideias, deve ser evitado e desencorajado. Nenhum confronto físico vale a pena enquanto houver respeito às leis e às instituições democráticas. Os que tentam fazer valer a versão de que essa operação para conduzir Lula a depor na PF é golpe querem ver o país – que dado o aspecto político, não deixa de ser um circo – pegar fogo. Não há nada que indique que a Constituição está sendo rasgada.

Por outro lado, é preocupante o fato de não haver um juiz com as mesmas intenções do Meritíssimo Sérgio Moro, no que toca a proteção da legalidade, nos casos usados por petistas para minimizar as falhas de seu partido, como o aeroporto do Aécio, o helicóptero cheio de cocaína, corrupção em Furnas, a privataria tucana e afins. O sujo não pode levar a melhor sobre o mal lavado. Disso tudo, também precisamos lembrar que pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Finalizando, volto a bater na tecla de que os brasileiros precisam rever seu comportamento e eliminar suas pequenas corrupções. Quando formos um povo mais íntegro e moralmente rico, deixaremos de dar espaço a políticos falastrões, que prometem mundos e fundos somente para chegar ao poder e, lá chegando, esquecem de trabalhar para que todos, independente do voto, tenham uma vida melhor.